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Artigo | Stress Digital: o que pode cada um de nós fazer?

Para assinalar o Dia de Consciencialização do Stress, Mariana Ferreira partilha algumas recomendações.

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6 horas e 37 minutos é o tempo médio que um adulto passa online durante o seu dia, considerando atividades profissionais e laborais. Isto equivale a cerca de 100 dias por ano e mais de 40% do tempo que estamos acordados. A estes dados, convém acrescentar que, em média, um colaborador recebe cerca de 117 e-mails e 153 notificações no Teams sendo que 40% já verificou o e-mail às 6 da manhã.

Estes dados traduzem médias que reúnem culturas de vários países e setores organizacionais mas quando estamos nas empresas, estes dados traduzem-se em impacto real no dia a dia: “Estou sempre a ser interrompido.”, “Estou na reunião a ver o e-mail.”, “Distrai-me com a notificação do Teams…”, “Sinto-me sempre ligado”. A questão já não é se estamos ligados demais, mas como podemos proteger o nosso bem-estar num mundo que parece nunca desligar e a responsabilidade parecer ser tanto das organizações como de cada um.

É consensual que uma estratégia efetiva para uma melhor gestão do stress digital passará por uma abordagem cultural e organizacional. Esta definição clara de diretrizes que promovam uma boa saúde digital contribuirá para reter talento, manter a produtividade, contrariar o presenteísmo e, em última instância, promover uma cultura organizacional mais saudável!

Surgem já alguns pilares consensuais sobre esta transformação: definição de canais de comunicação a ativar, gestão de notificações, criação de períodos protegidos para trabalho focado sem interrupções, gestão efetiva de reuniões e limites na comunicação dentro e fora do horário de trabalho. Não existem, porém, soluções universais: cada organização terá de encontrar o equilíbrio que melhor responde à sua realidade, conciliando as necessidades do negócio com a proteção do bem-estar e do tempo de recuperação das suas pessoas.

Então afinal o que pode cada um de nós fazer? O mundo digital é rápido, intuitivo, fácil e o apelo é muitas vezes irresistível. Não há dúvidas que todos sabemos estratégias que poderíamos adotar a questão é começar e quais escolher. Então, tal como as empresas, podemos pensar naquilo que faz sentido para nós e para a nossa rotina. Como posso reduzir o meu tempo online? Como posso começar a sentir que não preciso de estar sempre ligado?

Algumas estratégias podem ajudar, escolhendo sempre as que se encaixam no meu dia-a-dia:

  • Adiar ao máximo o contacto com o telemóvel no início do dia – voltar a um despertador analógico, deixar o telemóvel noutra divisão e manter notificações apenas para contactos urgentes, o ideal seria apenas consultar o telemóvel após a hora de almoço;

  • Gerir as notificações e períodos de foco – seja Teams, Outlook ou grupos do Whatsapp, é importante uma reflexão efetiva sobre em que períodos do dia preciso de ter todas as notificações ligadas, desligar notificações quando estou em reunião/momento de foco, criar uma rotina de verificar o e-mail ou Teams apenas determinadas horas do dia e não de forma constante, estratégias que podem ajudar a sentir que recuperamos algum controlo sobre o nosso tempo mental sem a culpa de poder não estar a responder aos pedidos que surgem;

  • Estabelecer limites claros de horários e contextos de trabalho – todos podemos ter períodos ou dias em que o trabalho precisa de mais horas mas essa deve ser a exceção e não a regra, criar rituais de fecho do dia de trabalho que incluam desligar notificações privilegiando uma chamada como o canal de comunicação urgente podem ajudar o nosso cérebro a distinguir os diferentes contextos.

Gerir melhor o tempo digital é importante e investir no nosso tempo desligado pode ser o elemento transformador deste processo.  Quantas vezes num jantar de amigos nos esquecemos do telefone e de repente já devíamos estar a descansar? Como em outros temas da saúde mental, as estratégias são muitas vezes as que conhecemos: priorizarmos o nosso tempo de qualidade com pessoas e conversas que nos desafiam, investirmos em hobbies diferentes que nos mantêm interessados, criarmos rotinas diárias que gostamos tanto que não queremos falhar.

Conhecemos as estratégias, agora vamos começar!

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